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O inventor de palavras: a poesia de Manoel de Barros

Como um poeta do Pantanal transformou o inútil, o miúdo e o esquecido na matéria mais viva da língua portuguesa.


Manoel de Barros nasceu em 1916, em Cuiabá, e cresceu entre as águas e o barro do Pantanal mato-grossense. Mas a sua verdadeira pátria sempre foi a linguagem — especialmente a parte dela que ninguém cuida: as palavras gastas, os seres desprezados, as coisas que não servem para nada.


Sua poesia desafia toda lógica utilitária. Num mundo que valoriza o eficiente e o produtivo, Barros ergueu um monumento ao inútil. Pedras, lagartos, latas enferrujadas, pássaros sem nome — tudo isso vira matéria de verso, e o verso vira espanto.


"O que é bom para o lixo é bom para a poesia." - Manoel de Barros, Livro sobre o nada (1996)

O que torna sua escrita singular não é apenas o tema, mas a forma. Barros desinventa o português. Cria substantivos a partir do nada, transforma verbos em paisagem, coloca a sintaxe de cabeça para baixo com alegria quase infantil. "Desinventar objetos" era, para ele, a tarefa do poeta — e para isso precisava de uma língua que ainda não existia.


Essa relação com a infância não é casual. Em várias entrevistas e poemas, Barros volta ao menino que foi — aquele que olhava formigas com a seriedade de um cientista e entendia o silêncio como um idioma. A infância, em sua obra, não é nostalgia: é método. É o estado de quem ainda pode ver o mundo sem os óculos do óbvio.


Aos leitores que chegam pela primeira vez à sua obra, uma dica: não procure sentido literal. Deixe a imagem pousar. A poesia de Manoel de Barros age devagar, como a umidade do Pantanal — e quando você percebe, já está dentro dela.


(Criado com IA)





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